#10/115

06 maio 2013
"Como é que se Esquece Alguém que se Ama?


Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência.

O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."


Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume

#8/115

04 maio 2013

Só foi pena a água estar tão fria e cheia de calhaus (levei logo com um no tornozelo que é para saber o que é bom para a tosse).... de resto, simplesmente perfeito :).

É simplesmente vergonhoso...

03 maio 2013
http://www.publico.pt/mundo/noticia/crianca-mata-acidentalmente-com-uma-arma-irma-de-dois-anos-nos-eua-1593117

Não tenho palavras para isto. Quem é que oferece uma espingarda a um miúdo de 5 anos como prenda de aniversário????? E os americanos ainda acham que é normalissimo. Esta é uma altura em que me sinto muito feliz por ser portuguesa e por morar na Europa. A América ainda vive na idade da pré-história. E têm eles a ousadia de se considerarem uma potência mundial e os melhores do mundo....

#5/115

02 maio 2013

Este pertence ao dia de ontem. Não, não me estou a esquivar ao que prometi. Mas ontem que foi feriado, passei o dia com rabo no sofá a ver isto. Estou para lá de viciada...

#4/115

30 abril 2013
"Somos o que somos, não o que os outros querem que sejamos. Somos o que aguentamos, o que queremos ser, quem nos propomos ser. Somos ontem, hoje e amanhã. Somos mais. Somos únicos, insubstituíveis, particulares."

Tive que roubar. Mexeu comigo. Daqui...


#2/115

28 abril 2013

#1/115

27 abril 2013

Ora bora lá levantar o astral...

26 abril 2013
Estou em modo terapia...
É isso mesmo que acabaram de ler.
Estou cansada da chuva, do mau tempo, do meu mau humor, dos altos e baixos da vida, de pensar que este ultimo ano acabou comigo. Afinal a vida tem tanta coisa boa. Só precisamos de saber aproveitá-la.
Faltam 115 dias para eu fazer 30 anos. Pois.. os tais afamados 30 (toda a gente me pergunta se é este ano que faço os 30...parece que é uma nova era que aí vem...). E eu recuso-me. Literalmente recuso-me a entrar com o pé esquerdo. Quero ser uma trintona de pé direito e astral em cima.
Por isso...estou em modo terapia. Durante os próximos 115 dias vou escrever (ou fotografar ou pensar ou algo na mesma onda) sobre algo de bom que cada dia me trouxe, qualquer coisa, nem que seja uma chávena de chá quente ao fim do dia para reconfortar a alma.

Hoje é o dia das citações...

11 abril 2013
Ele - Cada vez que uma relação me parece estar a correr bem faço sempre o mesmo.
Eu - O quê?
Ele - Deito tudo a perder.
Eu - Deitas tudo a perder porquê?
Ele - Epá! É como se tivesse medo de ser feliz, não te sei explicar muito bem.
Eu - E não tens medo de ser triste?
Ele - Acho que tenho menos medo. Já estou habituado.


Daqui 

Eu queria ser uma pessoa normal mas...

29 março 2013
Vila de São Torcato. Uma pequena vila no norte do país onde se situa a igreja de São Torcato. Igreja simpática, engraçada de se visitar e que tem uma pequena peculiaridade. Tem lá dentro o corpo de São Torcato embalsamado, exposto num pequeno altar.
Só tenho um pequenino conselho para vos dar quando lá forem. Cuidado com o que dizem quando olharem para o santo. Eu limitei-me a um misero "Spoky!" e 30 segundos depois estou a descer as escadas do altar de boca. Ganhei umas quantas nódoas negras e meia dúzia de beatas a rogarem-me pragas.
Se um dia lá forem, lembre-se que o santo é sensível e fechem a matraca.